A menos de dez dias para o Natal, o comércio colombense vive uma dualidade de sentimentos diante deste período do ano. Historicamente, dezembro é o mês de ápice nas vendas, mas a crise econômica e a pandemia do novo coronavírus deixam dúvidas sobre o movimento de clientes e valor financeiro que será gasto pelas pessoas em momento tão incerto de nossas vidas. 

Nossa reportagem circulou por diversos comércios da cidade, em especial dos principais centros comerciais, como os bairros do Maracanã, Guaraituba e São Gabriel. 

Entre os ambulantes e comerciantes de pequenos negócios, a sensação é de uma queda vertiginosa no movimento. A vendedora Jeniffer Daniela, que trabalha em uma loja de vestuário a preços populares, não demonstrou otimismo. “Já trabalho há bastante tempo com vendas e tem sido o dezembro com menos movimento que já tivemos. Acredito que melhore nos próximos dias, mas ainda assim vai ser uma diferença bem grande em relação a outros anos”, afirmou. O empresário Felipe Guebur Junior, proprietário de uma tradicional loja de artigos esportivos no Maracanã, compartilha da projeção pessimista. “O movimento está abaixo do esperado. Vai dar uma aumentada até o Natal, mas não vai ser como nos últimos anos”, opinou, ressaltando a falta de alguns produtos. “Está faltando mercadoria, porque os fornecedores alegam que está faltando matéria prima dos produtos”. explica.

O ambulante Gil dos Santos, que atua no comércio de rua há mais de vinte anos, observou a baixa movimentação de pessoas na primeira quinzena de dezembro. “Por enquanto, ainda está bem fraco. Não sei se é por causa da pandemia ou da economia, mas ainda não sentimos o mês de dezembro como é nos outros anos. Parece um mês normal de comércio. Nossa esperança é a partir do dia 20. Ainda tenho uma expectativa positiva”, disse Gil.

Visão positiva

Apesar da sensação negativa geral, há aqueles que têm obtido bons resultados, especialmente nas grandes redes de lojas varejistas. Fábio Camargo, gerente de uma rede moveleira, comemorou as boas vendas no mês de novembro e no início de dezembro. “Devido à black friday do mês de novembro, em que tivemos muitas vendas, houve uma pequena queda, mas não dá pra reclamar. Estamos conseguindo vender bem, graças a Deus”, conta. O profissional também destacou a falta de produtos. “Apesar da falta de produtos que está tendo, pela falta de matéria-prima de alguns setores, estamos bem otimistas. A região do Maracanã também ajuda, tem vários lojistas, e isso acaba ajudando a atrair o cliente”, acrescentou. 

Outro ponto comercial importante do município também confia em um bom resultado final. O Colombo Park Shopping considerou o movimento no local suficiente, apesar das previsões que apontavam o contrário. “Vivemos um momento de retomada gradual da economia, e apesar de estarmos em um ano atípico, o movimento tem apresentado uma crescente. Estamos otimistas, mesmo diante de todas as restrições que estamos vivendo, acreditamos que nas últimas semanas teremos um aumento significativo de clientes, sendo o melhor mês do ano”, afirmou Ana Drongek, superintendente do estabelecimento, que preparou uma série de ações voltadas ao Natal, pautadas nas recomendações dos órgãos sanitários. “Aumentamos nossas mídias, falando sobre todos os nossos protocolos de prevenção. Somos um local seguro para a família passear, controlamos o acesso de clientes. Além da nossa decoração de natal. Iluminamos nossa entrada em parceria com a Empalux, o Papai Noel também está aqui, mas de maneira virtual, e temos várias lojas com preços acessíveis, além de novas operações que chegaram para agradar a todos”, destaca. 

Projeção

Apesar de todos os problemas causados pela pandemia do novo coronavírus, a projeção da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) é de alta. A previsão é de um aumento de 3,4% nas vendas em relação ao ano anterior, um crescimento que será o maior desde 2017, caso confirmado. Segundo a CNC, um dos principais fatores para o aumento das vendas, é a ampliação do comércio online por parte dos comerciantes. A expectativa é de um aumento de 64% nas vendas desta modalidade, comparando com o ano de 2019. “O Natal deve trazer alguma recuperação ao setor, mas 2021 terá um cenário difícil, de lenta recuperação”, avaliou o presidente da entidade, José Roberto Tadros. Além disso, apesar do aumento nas vendas, a projeção é de queda de até 20% nos números de vagas temporárias no mercado de trabalho.