Emoção, garra, espírito de equipe e talento. Estes foram alguns dos atributos apresentados pelos times que representaram Colombo na grande final da Taça das Favelas 2019, disputada no último sábado, 31 de agosto, no estádio Couto Pereira. A versão paranaense do maior campeonato amador do mundo, organizado pela CUFA (Central Única das Favelas) coroou o Jardim Paloma/Desportivo Kalle e o Colombo/Butiatumirim como grandes campeões nos naipes feminino e masculino, respectivamente. O evento derradeiro, contou com a presença do vice-prefeito de Colombo, Sergio Pinheiro, e da equipe da Secretaria de Esporte, Cultura, Lazer e Juventude do município.

Logo pela manhã, foi realizada a decisão no feminino. O Paloma enfrentou a equipe do Parolin, de Curitiba. Com apenas três minutos, Tatiana aproveitou falha da goleira adversária e abriu o placar para o time colombense. No segundo tempo, aos 22 minutos, Vitória marcou um belíssimo gol de falta em jogada ensaiada. Três minutos depois, Nadine disparou em contra ataque, percorreu quase 50 metros com a bola e chutou na saída da goleira. E já nos acréscimos, Ilidiomara fechou a goleada por 4 a 0, após nova falha da arqueira do Parolin. “Mesmo com algumas dificuldades, conseguimos ser campeãs. Para chegar até o Couto foram muitas conquistas. Eu me superei, pois estou com problemas de saúde. Foi complicado, porém foi maravilhoso. Ver elas chorando ao entrar, ao fazer gols. Foi intenso demais”, resumiu a treinadora Ana Cristina Martins.

Para a comandante da equipe, que também treina o Rio Verde na Liga de Colombo, a equipe não teve um bom começo de jogo, mas soube se recuperar para levar a taça. “Começamos com muitos erros. Creio que até pelo nervosismo de jogar no Couto Pereira. Meu time estava recuado, talvez com medo de atacar e levar gols, afinal, nosso objetivo era a vitória. Pro segundo tempo conversei com meu time, acalmei elas e fiz mudanças, pois conheço elas como a palma da minha mão. Entramos mais tranquilas e dispostas a ir para cima”, explicou.

Por fim, Ana Cristina destacou a importância da participação na Taça das Favelas, e do crescimento do futebol feminino em Curitiba e Região. “É algo que não tem explicação. Jogar a Taça das Favelas, com a TV fazendo a cobertura, fotos. Pisando num gramado como o do Couto. Lembrando de tudo o que nós passamos. Isso é excelente para nós do Feminino. Está abrindo muitas portas, estamos conseguindo mostrar que a mulherada “manja” do futebol também. Não queremos apenas assistir nossos amigos ou maridos jogarem. Espero que continue essas competições, porque está sendo algo brilhante para nós do futebol feminino”, avaliou.

Depois da festa das meninas, foi a vez dos meninos entrarem em campo, já no início da tarde. No primeiro tempo, José Eduardo acertou um chute espetacular de pé esquerdo no ângulo, e abriu o placar para o Colombo. Ainda na primeira etapa, Luiz Gustavo empatou para o Pilarzinho. Mas a tarde era mesmo dos colombenses. No segundo tempo, o capitão Breno ganhou na velocidade de dois marcadores e tocou por cobertura na saída do goleiro. E nos acréscimos, Miranda, de cabeça, confirmou o título para o Colombo fechando o placar em 3 a 1. “Não tem palavras que expliquem tudo o que vivemos no Couto Pereira. Viver um ambiente profissional, em um vestiário profissional, fez com que os meninos tivessem muito perto de realizar o sonho deles, e o meu também, que é de se tornar um treinador de futebol profissional. A emoção e a tensão é muito grande. Tivemos um apoio muito grande da torcida e deu tudo certo”, disse o técnico Michel Cecon.

Desde o início da partida até o momento da comemoração, um nome se sobressaía aos demais. Era o de Tito, apelido de Kristopher Pereira dos Santos. O garoto de 17 anos, que deveria estar no elenco do Colombo/Butiatumirim acabou falecendo no dia 13 de agosto, em um acidente automotivo, que vitimou outras duas pessoas. A colisão aconteceu dias após Tito ter feito parte da partida que classificou o a equipe para esta final. “Foram momentos difíceis. Tivemos um amparo psicológico aos atletas. Eu também conversei e fiquei muito presente deles nos últimos dias. É uma dor que toda equipe sentiu, alguém que era tão querido e era a alegria do grupo. Foi o que eu ressaltei para eles. Jogamos com a garra do Tito, com o sorriso do Tito, com a determinação do Tito. Jogamos com um jogador a mais em campo, porque ele estava com a gente. Nos superamos na união do grupo. Somos uma família, um joga pelo outro. A gente semeia valores, amizade, respeito, a cidadania. Isso tudo reflete dentro do campo. Estamos muito felizes com os resultados que estamos alcançando. Eu sei que o Tito não está mais com a gente, mas enquanto ele esteve aqui, ele estava feliz, alegre, e muito perto de realizar o sonho dele”, disse Michel.

O treinador ainda lembrou que dias antes de Tito falecer, levou o jovem atleta ao Couto Pereira, local da decisão da Taça das Favelas. “Eu estava com um ingresso sobrando e levei ele no jogo. Ali ele mostrava o quanto ele queria chegar, o quanto queria estar naquele local para jogar. E ele era uma pessoa muito humilde, mas sempre com um sorriso no rosto”, destacou Michel, que também ressaltou a importância da competição. “É uma competição de fundamental importância. Os jogadores puderam vivenciar um pouquinho do que é o sonho que eles tanto almejam. Aos organizadores só tenho elogios a fazer”, disse.