O termo “academia” deriva do grego antigo “academo” (um personagem mitológico), e provém da escola de Platão, nos idos de 387 a.C. Uma das principais academias modelo do mundo é a Academia Francesa (“Académie Française”), fundada em 1635, por Richelieu, ao tempo do reinado de Luis XIII. A academia francesa foi a inspiração da Academia Brasileira de Letras. Para que servem, afinal? Servem a vocacionar o ensino, a ciência, a literatura, a filosofia. Essas academias, tradicionalmente, contam com seus acadêmicos, os responsáveis pelo fomento das atividades. São tidos como “imortais” (mais até que vitalício, como reza a história das academias), que detêm uma cadeira, as quais têm como patrono uma figura renomada e respeitada. Certamente é uma grande honra fazer parte de uma academia. Também, é claro, uma grande responsabilidade, e uma espécie de compromisso é firmado ao se aceitar fazer parte de uma academia. Um compromisso social, para além de tudo. Nessa linha, finalmente, em julho de 2021 foi criada a Academia Paranaense de Direito Notarial e Registral, que tem – como principal razão de ser – o fomento dos estudos sobre a atividade notarial e registral no Estado. Os acadêmicos são titulares de cartório extrajudicial das diversas atribuições (notas, registro civil, imóveis, protesto), além de desembargadores, juízes, advogados, integrantes do Ministério Público e professores. Ao todo, a Academia nomeou 23 acadêmicos por ocasião da sua instalação. Pois bem. Voltando ao título do presente texto: somos acadêmicos! Isso mesmo. Temos uma cadeira na prestigiosa academia, recém inaugurada. Recebi um generoso convite, aceitei com muita honra, fui nomeada e recebi no último dia 17 de julho a insígnia da Academia, um tipo de medalha dos acadêmicos. Assim, dentre os (somente) 23 membros da Academia, o bairro do Roça Grande, Colombo, está lá. Estamos lá! Ao lado de grandes nomes do Direito Notarial e Registral, que tanto admiro, verdadeiramente. O que me deixa certamente muito feliz, me faz olhar pelo trajeto já percorrido até aqui com muito orgulho, e me faz acreditar ainda mais no poder do estudo, da dedicação, do esforço e do trabalho notarial e registral bem feito. Vale a pena, e há muitos frutos ainda a gerar, muito valor ainda pode surgir daí. Não me refiro à questão financeira, evidentemente. Aliás, os trabalhos da Academia não geram remuneração aos acadêmicos, é bom deixar claro. E, como eu disse, os acadêmicos tem um “patrono”, certo? Ora, também temos o “nosso” patrono. Como fui agraciada com a participação na Academia desde o princípio, pude escolher o meu patrono. Tenho grande respeito aos patronos que meus colegas de academia indicaram, mas um carinho especial ao nome que escolhi: um jurista que firmou suas raízes, e estabeleceu sua família no Estado do Paraná, e que me acompanha (por suas obras) desde o início da faculdade de direito, que cursei de 2000 a 2004. Hoje mesmo, no Cartório, nesse exato momento, pego um dos livros mais parceiros dos meus estudos, “Vocabulário Jurídico”, do agora meu patrono “De Placido e Silva”, e noto nas primeiras páginas já amareladas, com a letra antiga (minha!): “Maria Fernanda G. A. Meyer – 2002”. Fico orgulhosa, inclusive pela escolha, de um nome tão respeitável (do meu patrono) que seguirá para sempre na 21ª cadeira da Academia Paranaense de Direito Notarial e Registral. Agora, que venham os trabalhos. Se vamos fomentar os estudos notariais e registrais, vamos ao mesmo tempo desenvolver a segurança jurídica da sociedade, e isso é o mais importante. Vamos juntos, Roça Grande. Vamos juntos, Colombo! Maria Fernanda Meyer Dalmaz é Tabeliã de Notas e Registradora Civil do Cartório Roça Grande e Membro da Academia Paranaense de Direito Notarial e Registral.