Estamos partindo para a última etapa da educação em ensino remoto do ano letivo. A previsão do retorno dos estudantes à escola já está sendo organizada e planejada pelos órgãos públicos. As escolas particulares em sua grande maioria já estão com alunos frequentando os espaços escolares, porém com uma nova modalidade de ensino. 

Os últimos dois anos tem proporcionado aos agentes da educação um desaprender e um reaprender. Desaprender as velhas práticas de ensino e mergulhar em uma nova metodologia. A nova metodologia está em processo de construção. Reorganizar as estruturas escolares em um período pandêmico é início apenas de longos anos de adequação do ensino. 

E o que é necessário adequar? Será muito ou pouco? E o prazo para isso? Além destas, muitas outras perguntas surgirão. Teremos famílias que não enviarão seus filhos enquanto a crise de saúde estiver presente. Para tanto, uma adaptação de aulas e atividades deverão acontecer com rapidez porque esta decisão não retira o “Direito à Educação”, garantido legalmente na Constituição Federal de 1988 e em outras leis como a Lei de Diretrizes e Base da educação Nacional de 1996 e O Estatuto da Criança e do Adolescente de 1990. 

Nesse sentido, Documentos Nacionais e Estaduais também definem Metodologias e Práticas Pedagógicas para serem estudadas e implantadas nas redes de ensino, porém há uma lacuna para ser preenchida, uma vez que os estudantes também tiveram adaptações individuais e diferenciada carga horária no estudar. Também há aqueles que não estudaram por diversas maneiras e situações. Sem contar sobre os professores que não conseguiram inserir-se dentro da nova modalidade proposta. Neste contexto, cada um merece ser observado com cautela e atenção devida. 

E emocionalmente? Aqui está um grande desafio, talvez o maior de todos. O certo é que todos deverão ser acolhidos. Diversos são os motivos para o acolhimento. Nossas crianças passaram por experiências de luto próximas a elas, de familiares, amigos e pessoas conhecidas, e as perdas vividas precisam ser tratadas de maneira especial. A melhor forma de acolher é ajudá-los a lidar com os próprios sentimentos, através de momentos de conversa, de escuta individual e coletiva. Sem minimizar o sentimento do outro. Respeitar o outro e seus sentimentos é uma obrigação, antes, durante e depois da pandemia, e com todos os envolvidos no processo.

Márcia Regina Schena dos Santos é Pedagoga e Professora de Língua Portuguesa, Pós graduada em Psicopedagogia, Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa e Docência no Ensino Superior. Atualmente é diretora do CMEI Espaço da Criança.