Assédio moral é um termo que visa representar uma forma velada de terrorismo psicológico, impertinência e perseguição. É um mal que vem ganhando destaque em nossos dias nos jornais, nas mídias em geral e especialmente nas redes sociais. Diariamente, temos notícias desses casos, ou na família, no trabalho, nas escolas, nas igrejas ou nos grupos sociais. 

Konrad Lorenz, um conhecido etologista austríaco, revelou que identificou esse fenômeno no comportamento dos animais que viviam em grupos. Ao sentirem-se ameaçados em seu território, alguns animais tentavam expulsar o “invasor”.

Tais estudos avançaram ainda mais na França com Marie-France Hirigoyen, em 1988, com a publicação de seu livro “Assédio moral: a violência perversa no cotidiano”.

O assédio moral, seja ele na escola, trabalho ou na família, é uma violência de difícil percepção. A pessoa que sofre os atos hostis e degradantes tem afetada sua dignidade a ponto de sentir-se culpada pelos acontecimentos ficando sem reação e sem conseguir pôr um fim a tais práticas.

As condutas abusivas e que configuram o assédio buscam constranger a vítima, afetando-a em sua autoestima e em sua honra, inclusive causando-lhes danos como doenças psicossomáticas e depressão. 

Os mecanismos utilizados pelo assediador passam por: agir com preconceito, discriminar, menosprezar em atos e palavras, culpabilizar, desqualificar, segregar até a exclusão do grupo. 

O agressor em geral responsabiliza a vítima, pelos seus próprios atos, faz com que ela se sinta culpada por ser agredida, a isola pouco a pouco, para que não tenha a quem contar sobre o que vem sofrendo. 

A psicologia vem debruçando-se sobre o tema e entende que situações de assédio moral nos diversos ambientes podem causar desde ansiedade, depressão, distúrbios alimentares, e em casos extremos até o suicídio. 

Esse texto busca promover uma reflexão e um alerta sobre “assédio moral”, inclusive no âmbito familiar, que é onde é menos discutido. As consequências ultrapassam o campo do individual e passam afetar toda a coletividade, pois mina e fragiliza os laços familiares gerando danos profundos e irreparáveis. 

O sujeito que experienciou tal violência toma consciência do que está passando quando já se encontra numa fase de esgotamento e exaustão, podendo acarretar a perda da capacidade de trabalho, a morte de parte de seus sonhos, o dilaceramento de sua alma a ponto de não conseguir mais se relacionar com os outros, pois o sujeito passa a sentir medo e desconfiança das pessoas, levando-o inclusive a necessitar de um acompanhamento psicológico e/ou psiquiátrico.

Izabel Cristina de Paiva Linares é Psicóloga (CRP-08/27332), especialista em psicologia clínica e psicanalista em permanente formação. Seu consultório em Colombo fica localizado na Av. Marginal José Anchieta, nº 906, às margens do KM2 da Estrada da Ribeira. Contato: 41 98516-3884.  

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