O mundo já enfrentou pandemias destrutivas como a que estamos vivendo atualmente. Apesar dos cem anos que as separam, existem diversas semelhanças com a situação atual e a pandemia de gripe espanhola, ocorrida na primeira metade do século XX. Para identificá-las, é preciso compreender o que foi essa ocasião e como ela impactou mundialmente nossa população.

A gripe espanhola, conhecida por ter sido a pandemia mais letal e devastadora ocorrida até então, foi provocada por um vírus da gripe que sofreu mutação. Este levou a óbito mais de 20 milhões de pessoas, segundo David Patterson e Gerald Pyle em seu livro de 1991, “The Geography and mortality of the 1918 influenza pandemic”. Em contrapartida, em uma pesquisa posterior realizada em 2002 por Niall Johnson e Juergen Mueller, eles afirmavam que essa pandemia deixou 50 milhões de mortes. Os historiadores ressaltaram que poderia ser uma subestimação do número real, e que a verdadeira quantidade de mortos que essa gripe deixou fosse o dobro do estimado.

No momento, como todos sabem, estamos enfrentando uma nova pandemia. O combate ao vírus Sars-CoV-2, que por sua vez já levou a óbito 3,46 milhões de pessoas, tem semelhanças notáveis com a pandemia da gripe espanhola. A começar pela descrença na doença. Assim como com a Covid-19, a gripe espanhola de início também não estava sendo levada a sério. Muitas pessoas duvidaram de sua existência, e até mesmo governos trataram a doença como indiferente, censurando vários casos na tentativa de omitir os estragos da pandemia.

Outro ponto semelhante é que devido ao desespero, as pessoas procuraram diversas maneiras de cura, se automedicando, sem embasamento científico. Na época, o medicamento da vez era o Quinino, o qual era usado no combate contra a malária. Sem citar que os leitos também estavam lotados, e os velórios e enterros tiveram que deixar de ocorrer. Foram dois anos até que essa doença pudesse ser contida, coisa que se deu somente a partir do cumprimento da quarentena, pois a tecnologia da época não permitiu a criação de vacinas. O isolamento social acabou por diminuir o número de casos e facilitar o tratamento de enfermos. Por consequência, os doentes eram recuperados mais facilmente.

Com o número de casos diminuindo, mais leitos estavam disponíveis e mais acesso ao tratamento era possível, o que fez com que a sociedade fosse adquirindo uma imunização coletiva, podendo assim, erradicar a doença. Daí a importância do isolamento social, graças ao qual a gripe mais letal da história foi contida. No cenário atual, com a produção de vacinas eficazes, o isolamento social se torna mais um aliado na luta contra a Covid-19 até termos o controle da doença em definitivo.

Giovanna Gasoto é estudante do curso técnico em Informática do IFPR e faz parte do projeto História no Jornal, elaborado pelo Jornal de Colombo em parceria com o IFPR Campus Colombo. 

3 comentários sobre “Gripe espanhola versus Covid-19

  1. Orgulho dessa filha amada, pela dedicação e competência em tudo que se propõe. Parabens minha filha por cada pequena conquista. Maria Cristina Carvalho de Oliveira.

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