É curioso pensar que vivemos há quase dois anos em uma pandemia que afeta o mundo inteiro. Sem percebermos, alguns de nossos hábitos mudaram muito, como por exemplo, usar máscaras para sair de casa ou até mesmo dar mais atenção à limpeza das mãos, lavando-as regularmente e passando álcool em gel. Pensando sobre a higiene das mãos, fiquei curiosa a respeito dessa prática nos séculos passados. 

No início do século XIX, um médico húngaro chamado Ignaz Semmelweis comparou a maternidade dos dois hospitais em que trabalhava e percebeu que uma apresentava mais mortes que a outra. Este fato o intrigou, levando-o a analisar e reparar que no hospital em que os médicos e estudantes tinham contato com outros pacientes e que faziam autópsia, apresentava mais mortes tanto de mulheres quanto de bebês, comparado ao outro hospital em que trabalhavam apenas parteiras na maternidade. Dessa maneira, ele concluiu que o problema estava nas mãos que não eram devidamente higienizadas e acabavam contaminando a maternidade. Ele orientou os médicos para que lavassem as mãos com uma solução de cal clorada. Porém, somente após sua morte o médico teve o merecido reconhecimento. 

Na época de Semmelweis, muitos ainda não davam atenção às percepções que ele teve. No entanto, Florence Nightingale foi uma mulher que realizou descobertas que permitiram maiores estudos. Florence se formou em Enfermagem na Alemanha em 1851, e no ano de 1854 foi chamada para atender em um hospital militar os feridos na Guerra da Crimeia, pois os ingleses viviam um verdadeiro caos, visto que muitos dos soldados morriam de frio, fome ou cólera. Ela se tornou enfermeira chefe do exército e com uma pequena equipe ela conseguiu constatar que a falta de higiene nos hospitais ingleses eram um foco para o desenvolvimento de doenças. Sendo assim, Nightingale elaborou um plano para auxiliar e organizar os hospitais frente a uma batalha, e nessas ações ela pedia que as feridas fossem lavadas, assim como as mãos dos profissionais da saúde. Essas ações diminuíram a mortalidade em 43%. 

Trazendo o pensamento para a atualidade, a OMS fez uma pesquisa e descobriu que 95% da população do mundo não lava as mãos com frequência, fazendo com que vários microrganismos indesejáveis se proliferem, incluindo o Sars-CoV-2, vírus causador da Covid-19. Dessa maneira, se não fossem pelas descobertas, tanto de Ignaz como de Florence, seria mais complicado e difícil lidar com a atual situação que vivemos. Por isso é sempre necessário manter a higiene constante das mãos. 

Sofia Lunardon é estudante do IFPR Campus Colombo e faz parte do projeto História no Jornal, elaborado pelo Jornal de Colombo em parceria com o IFPR, com supervisão do prof. Tiago Dopke. 

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