A pandemia da Covid-19 mostrou como o Transporte Coletivo é essencial para garantir o acesso e a continuidade dos serviços básicos. Praticamente em todo o mundo, mesmo nos dias mais restritivos, a operação do transporte foi mantida para garantir a mobilidade dos trabalhadores da linha de frente. Aqui na Região Metropolitana de Curitiba não foi diferente. Apesar de uma queda de 75% no número de passageiros no início da pandemia, cerca de 110 mil pessoas utilizavam o sistema todos os dias. Hoje este número já ultrapassa 230 mil pessoas. E apesar desse retorno, talvez nunca mais tenhamos os números anteriores à pandemia. Muito disso causado, é claro, pelas mudanças ocorridas, como adoção de home office, diminuição da atividade econômica, mas também pelo medo das pessoas em se contaminarem dentro do Transporte. E com razão. A pandemia nos pegou totalmente desprevenidos. Tivemos que debater se uma máscara é ou não eficiente. Aprender a lavar as mãos. Compreender como funciona uma vacina. Coisas tão simples para uma sociedade tão avançada e tecnológica como a nossa. Mas importantes. Na mesma linha começam a surgir estudos e evidências que nos ajudam a compreender melhor como agir nesse momento e entender, inclusive, o Transporte Coletivo na pandemia. Por mais incrível que isso possa parecer, ele não é o vilão que todos imaginam.  

Evidências demonstram que, quando as medidas recomendadas pelas autoridades de saúde são implementadas, o risco de pegar Covid-19 no Transporte Coletivo é muito baixo. Obviamente ele não é zero. Mas o Transporte Coletivo pode sim ser uma forma segura de se locomover. 

Uma pesquisa publicada pelo Instituto Público Francês de Informação em Saúde (Santé Publique France) apontou que apenas 1,2% das contaminações com Covid-19 estavam ligadas ao Transporte Coletivo, enquanto 24,9% foram relacionadas ao local de trabalho, 19,5% escolas e universidades, 11% estabelecimentos de saúde, 11% eventos temporários públicos e privados e 7% encontros familiares. 

A análise do Órgão de Segurança Ferroviária do Reino Unido (RSSB) mostrou que o risco de contrair a Covid-19 ao viajar de trem é de 0,01%. A Universidade do Colorado (University of Colorado Boulder) chegou a dizer que o risco é praticamente zero mesmo após 70 minutos. E outras pesquisas também apontaram para o mesmo caminho. Mas como isso é possível? Alguns fatores são determinantes: a circulação do ar dentro dos ônibus é fundamental, e ela chega a ser até 63% maior que em outros locais; o uso correto de máscaras; a higienização das mãos e dos veículos – por parte das empresas – e evitar conversar durante o trajeto. Todos estes fatores contribuem para termos um Transporte Coletivo seguro e que continuará sendo essencial para milhares de pessoas, todos os dias. 

Gilson Santos é Jornalista com especialização em Ciências Políticas e atual presidente da Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba – Comec, do Governo do Estado do Paraná. Contato: gilsonjsantos@comec.pr.gov.br