Nos últimos dias muito tem sido discutido com relação ao atual preço dos combustíveis e seus recentes aumentos. Esta certamente é uma discussão complexa, que envolve diversos fatores de âmbito, inclusive, mundial, mas que gera um impacto direto no dia a dia da população. Este aumento, considerado por alguns como inevitável, aumenta custos com logística, que são repassados para praticamente todos os produtos e serviços, e, no fim, acaba por diminuir ainda mais o poder de compra da população. Ou seja, não é só a gasolina que fica mais cara. Tudo fica mais caro.

Para muitos, este aumento é uma consequência de anos e anos de falta de investimentos em fontes alternativas de energia. Para outros, resultado de uma diminuição da cadeia produtiva, gerada pela pandemia de Covid-19, em contraponto ao aumento da demanda gerado principalmente pelos estímulos financeiros realizados por governos em busca de combater uma possível crise financeira. Mas independente do motivo, novamente é um momento de reflexão, principalmente, com relação ao nosso estilo de vida. 

Durante décadas foi priorizado e incentivado um estilo de vida baseado no petróleo, no deslocamento individual, no consumo desenfreado e descaso com o Meio Ambiente. E infelizmente a conta está chegando. É urgente investimentos em energias alternativas, em cidades mais inclusivas e coletivas, em produtos ecológicos e tratamento de resíduos. Se não mudarmos por ideologia, por convicção, mudaremos por força e, no mundo atual, por prejuízos financeiros que se manifestam nos preços altos, na escassez de produtos, nos desastres naturais, entre outros. Precisamos começar a compreender urgentemente que a gasolina está alta não por causa dos donos de postos, distribuidores, entre outros atores desta cadeia produtiva. A gasolina está alta porque o nosso estilo de vida é simplesmente insustentável.

Gilson Santos é Jornalista com especialização em Ciências Políticas e atual presidente da Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba – Comec, do Governo do Estado do Paraná. Contato: gilsonjsantos@comec.pr.gov.br