No Paraná, desde 2012, a Lei 17.385 instituiu o mês de setembro como o mês da bicicleta e é claro que eu não poderia deixar de falar deste modal que tantas vezes já foi tema de diversos textos desta coluna. 

A bicicleta sem sombra de dúvidas é um dos principais meios de transporte utilizados pela população, mas ainda marginalizada no planejamento urbano. Infelizmente, por mais que cidades estejam se adaptando cada vez mais ao uso da magrela, as iniciativas ainda são muito tímidas. Muitas vezes as ciclovias são instaladas em “vazios urbanos” e em quase todas as vezes em calçadas, retirando o espaço de pedestres. Ou seja, não existe um planejamento para implementar novas ciclovias nas grandes cidades e sim um “encaixe aqui e ali”. Elas acabam surgindo onde dá. Prova disso, são ciclovias desconectadas, quebradas, que não seguem um caminho contínuo ou levam para lugar nenhum, e que por isso, muitas vezes, são utilizadas apenas como rotas de lazer nos finais de semana. É uma pena. 

A infraestrutura precária, que acarreta na falta de segurança para o ciclista, também é apontada como a principal causa para a não utilização da bicicleta como um meio de transporte diário e regular da população. A falta desta infraestrutura é recorrentemente apontada como causa de diversos acidentes ocorridos com ciclistas, muitos deles fatais. 

A grande questão é que a infraestrutura necessária para garantir uma viagem segura ao ciclista é sempre apontada como cara ou inviável, mas ao mesmo tempo garante-se enormes investimentos para ampliar ruas, rodovias, estradas, etc. Ou seja, prioriza-se o automóvel enquanto o ciclista e até mesmo o pedestre são deixados de lado. 

É preciso mudar este pensamento. Entender que a bicicleta é sim um meio de transporte e que precisa receber a mesma atenção e investimentos que os demais. E esses investimentos precisam ser pensados na real funcionalidade das ciclovias, fazendo integração com os centros urbanos e demais equipamentos como terminais de ônibus, e não apenas como alternativa de lazer, ao redor de praças e parques, que são utilizados apenas aos finais de semana. 

Esta mudança é, sem sombra de dúvidas, uma quebra de paradigmas. Uma mudança de comportamento. Mas também uma tendência. Diversas cidades no mundo estão tomando este caminho que é, com certeza, o caminho do Futuro e um caminho sem volta.

Gilson Santos é Jornalista com especialização em Ciências Políticas e atual presidente da Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba – Comec, do Governo do Estado do Paraná. Contato: gilsonjsantos@comec.pr.gov.br