Em uma análise superficial, não há dúvidas de que a pandemia mudará nossa vida em sociedade de forma permanente. O “novo normal” já não é mais novo. É uma realidade. Mas precisamos compreender até onde vão estas mudanças e como elas poderão nos afetar. Analistas do mercado financeiro são especialistas neste assunto porque obviamente existe um interesse econômico em tudo isso. Mas e os impactos sociais e ambientais? Certamente eles existem e são tão importantes quanto os demais. O aspecto econômico é muito bem conhecido. Aumento da pobreza,  da criminalidade e  do desemprego. Estes refletem diretamente na educação, na segurança e na saúde da população. Retardam ainda mais o crescimento do país trazendo todo o tipo de sofrimento que já conhecemos.

No aspecto ambiental, o momento provavelmente aumentará a busca por produtos, serviços e condições sem regulamentação, que são mais baratos e consequentemente oferecem mais riscos. É o caso de ocupações irregulares, produtos piratas, extração de insumos de forma clandestina e até a diminuição nos investimentos em produtos mais sustentáveis. Fato é que a sustentabilidade tem um preço e, em um momento de crise, muitos vão preferir deixar este investimento de lado aplicando seus recursos em formas mais baratas de consumo. O grande problema disso tudo é que a relação causa X consequência, é uma “bola de neve”. Por exemplo, pessoas mais pobres se mudam para locais com maior risco, locais de risco são mais suscetíveis a diversos fatores como enchentes, que trazem mais destruição, sofrimento e pobreza para estas famílias. 

Mais uma vez o planejamento entra como um fator decisivo para combater este impacto. Cidades bem planejadas evitam que pessoas pobres sejam marginalizadas do contexto urbano. Oferecem alternativas de consumo e deslocamento mais baratas e eficientes como o Transporte Coletivo de qualidade e até o uso da bicicleta como modal, lembrando que a bicicleta requer também investimentos em infraestrutura e segurança. Garante um saneamento básico universal. Garante acesso aos demais serviços públicos como  saúde, escola e segurança, além, é claro, de oferecer espaços como parques, praças e bosques, para todos, que foram fundamentais neste momento de pandemia e continuarão sendo, entre diversos outros fatores. 

Todo este planejamento, que já não é fácil em tempos normais, se torna ainda mais difícil agora, mas, ao mesmo tempo, mais importante. 

A pandemia certamente irá impactar aquelas pessoas mais carentes. E é nelas que devemos concentrar nossa atenção e fazer público sua fonte de apoio e encaminhamento.

Gilson Santos é Jornalista com especialização em Ciência Políticas e atual presidente da Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba – Comec, do Governo do Estado do Paraná. Contato: [email protected]

1 comentário em “Planejamento para reduzir os impactos da pandemia

  1. Acontece que não adianta ficar só no planejamento e não por nada em prática. Por exemplo o transporte coletivo que desde 2015 só sofre retrocessos, como extinção e agrupamento de linhas que já eram lotadas e que agora são lotadas, o fim do cartão único para Curitiba e RMC (era muito melhor quando só tinha cartão URBS, pois você poderia pegar qualquer linha ao invés de ficar só preso nas linhas que a metrocard atende), ônibus velhos e caindo aos pedaços (manutenção precária, ônibus que quebram direto e que perde pneus, não fecham portas, chove dentro) e os poucos ônibus novos s numa configuração multimodal na qual nem temos infraestrutura que atendam em piso em nível e desnível ao mesmo tempo, sem ar condicionado, com poucos bancos e duros (e depois ficam reclamando que o transporte por aplicativo provoca concorrência desleal, eu não acho, pois eles são uma alternativa quando o transporte coletivo deixa de atender o usuário dignamente).
    Nesse período de pandemia, foi uma burrice da COMEC agrupar linhas e colocar tabela de sábado na semana (por que você Gilson Santos e Willian Correa não saem das dependências da COMEC e não vem dá um passeio de manhã saindo do Terminal do Guaraituba as 7:10 da manhã da linha B89-Guraituba-Guadalupe-via Maracanã Cabral e outras linhas pela região metropolitana nos mesmos moldes das mudanças grotescas que vocês fizeram para ver o quanto é “gostoso” andar socado até o trabalho! Venham ver a porcaria que vocês e seus “técnicos” implantaram e nós pagamos o preço por um lixo de transporte, que nem limpo é!

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