Foto: Divulgação/Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba

O Transporte Coletivo é um serviço essencial e um direito social, assim como a saúde, a educação ou a segurança. Mas é fundamental compreender como este serviço pode impactar diretamente a vida do cidadão, gerando igualdade e oportunidade. Mas tudo isso depende de um serviço eficiente e de qualidade.

No Brasil, infelizmente, a falta de planejamento das cidades é um problema crônico e faz com que a população mais carente seja marginalizada dos centros urbanos, trazendo inúmeros impactos negativos. 

A distância maior, naturalmente, exige um deslocamento mais longo e são as políticas de mobilidade urbana que vão determinar se esse deslocamento é mais rápido, barato, seguro, confortável, entre outros atributos, para a população. O problema é que muitas vezes não se dá a prioridade necessária para este sistema e assim temos um transporte lento, caro, lotado e até perigoso. É mais triste ainda pensar que deixamos de priorizar este sistema em face do automóvel, por exemplo, que claramente é um meio de transporte utilizado por uma parcela da sociedade mais privilegiada. Romper com este “modus operandi” é fundamental e urgente. 

Um exemplo muito simples é o de faixas exclusivas. Veja, se um ônibus tem capacidade para transportar 80 pessoas, enquanto um carro transporta no máximo 5 pessoas, ele deveria ter 20 faixas exclusivas, enquanto o carro, somente uma. Mas as cidades hoje são nitidamente inversas. Sobram ruas lotadas de automóveis e os ônibus são tão marginalizados quanto seus usuários.

Isso demonstra como nossa política de mobilidade é extremamente antidemocrática e consequentemente ineficiente. 

E é importante lembrar que a faixa exclusiva não melhora apenas a questão da velocidade, mas toda uma cadeia de benefícios. Com mais velocidade o ônibus chega mais rápido. Consegue fazer mais viagens. E desta forma são necessários menos ônibus para atender o mesmo número de usuários. Com menos ônibus economizamos recursos que podem ser investidos em ônibus mais modernos, confortáveis e menos poluentes, e que assim atraem mais passageiros e tornam o sistema economicamente viável, exigindo menor subsídio do poder público, que pode então investir este recurso na saúde, na educação e outras áreas. Com um sistema mais eficiente, mais pessoas deixam de utilizar o automóvel e assim reduz-se o número de acidentes, a poluição nas cidades, os engarrafamentos e o tempo de deslocamento. Com menos tempo no trânsito as pessoas podem se dedicar a outras atividades como um estudo, um exercício, ou até mesmo uma outra atividade econômica, gerando mais renda e assim melhorando sua qualidade de vida. Quem diria que uma simples faixa exclusiva seria capaz de tudo isso, não é mesmo? 

Este é o grande desafio. O Transporte Coletivo não pode ser um transtorno na vida do cidadão e sim uma solução.

Gilson Santos é Jornalista com especialização em Ciências Políticas e atual presidente da Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba – Comec, do Governo do Estado do Paraná. Contato: gilsonjsantos@comec.pr.gov.br