O crescimento das cidades quase sempre acaba gerando uma marginalização da população de baixa renda. Elas vão crescendo e se desenvolvendo, e empurrando para cada vez mais longe a população mais carente. Em alguns casos muito específicos, como no Rio de Janeiro por exemplo, grandes comunidades de baixa renda se misturam com edifícios de luxo, mas sabemos que isso ocorre muito mais por uma questão de descontrole social e urbanístico do que pela vontade do poder público. E apesar da proximidade, a falta de serviços públicos básicos ainda é uma cruel realidade nestas comunidades.

A marginalização dessa população acaba gerando cada vez mais desigualdades, pois afasta esta população não só dos centros, mas dos serviços públicos, de uma habitação de qualidade, do acesso ao transporte público, entre diversos outros problemas, sem considerar os mais graves como a habitação em locais de risco e até mesmo em condições insalubres.

O poder público dispõe de diversas ferramentas para tentar combater este problema, mas ele muitas vezes não consegue atingir aquelas pessoas em situação de miséria, pois a grande parte dos programas envolve facilidades na aquisição de imóveis e seus financiamentos, e esta população sequer possui condições básicas de informação. 

O grande problema deste sistema, além, é claro, da situação de vulnerabilidade desta população, é que este movimento vai ocorrendo principalmente pela especulação imobiliária e, por tanto, do ente privado. O empreendedor adquire os terrenos, constrói, vende, obtém o lucro da operação e a população de baixa renda vai sendo expulsa da cidade. No fim, será o poder público que terá que arcar com os custos cada vez maiores para levar serviços para estas pessoas. Um exemplo muito simples deste impacto pode ser visto no transporte coletivo. Muitos consideram uma passagem de R$4,50 cara. Mas ela leva um usuário do Bacacheri ou Centro de Curitiba, assim como leva um usuário de Rio Branco do Sul para o Centro de Curitiba. O sistema como um todo tem que arcar com os custos para trazer estes usuários das regiões mais distantes tornando a passagem, para alguns, cara. 

A saída seria investir cada vez mais em programas voltados para habitação de interesse social, porém, trazer estes programas para os grandes centros urbanos, visto que em grande parte estes empreendimentos também acabam sendo construídos em regiões afastadas e que depois vão depender de transporte coletivo, escola, posto de saúde, etc. E estes programas precisam ir muito além apenas da questão de financiamento dos imóveis, mas realmente criar oportunidades para que esta população faça parte das cidades.

Gilson Santos é Jornalista com especialização em Ciências Políticas e atual presidente da Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba – Comec, do Governo do Estado do Paraná. Contato: gilsonjsantos@comec.pr.gov.br