Na última segunda-feira, 22, celebramos o Dia Mundial da Água, mas infelizmente este nosso bem tão precioso enfrenta um dos seus momentos mais difíceis. O Paraná, em especial, vive uma das piores crises hídricas da sua história sendo inclusive decretado pelo Governador a situação de emergência hídrica no Estado. Nossos reservatórios de água chegaram a registrar a incrível marca de 27,5% de capacidade, obrigando a implementação de medidas drásticas como o rodízio forçado. É importante lembrar que isso ocorre justamente no verão, estação marcada pelas altas temperaturas e chuvas fortes e intensas. O que levanta a bandeira vermelha para o inverno que se aproxima. Estação costumeiramente mais seca. 

Mas será que o planejamento das nossas cidades tem relação com a crise que enfrentamos? Totalmente. Infelizmente as cidades estão se tornando as grandes inimigas da água. E isso não apenas na questão do saneamento, mas também porque estamos literalmente expulsando a água das nossas cidades. As áreas verdes estão se tornando cada vez mais raras, dando lugar às mais diversas interferências do homem. As árvores, cada vez mais únicas, dando espaço para as edificações. A terra, cada vez mais incomum. Todos estes fatores são a fórmula perfeita para o que estamos enfrentando. 

As árvores desempenham um papel fundamental na umidificação do nosso ar. Que consequentemente ajuda na formação das chuvas. A terra tem um papel na absorção dessa água que hoje é sugada pelos bueiros e jogada lá longe nos rios, córregos ou mar. Quando os bueiros entopem, ou não dão conta do volume de água, vemos enchentes causadas justamente pela falta de áreas verdes por onde essa água poderia ser absorvida. Sem falar, é claro, do uso descontrolado da água pelos nossos habitantes. 

Curitiba sempre foi considerada uma cidade muito verde. Mas não precisamos ir longe para verificar que alguns dos seus bairros e principalmente algumas das cidades da sua Região Metropolitana estão longe de seguir esta característica. São locais onde justamente os padrões urbanísticos seguem descontrolados, muitas vezes oriundos de ocupações irregulares ou mesmo falta de sensibilidade de empreendedores e loteadores. É constante ver loteamentos enormes, inclusive de luxo, sendo vendidos sem uma única árvore em toda sua planta. Se cada um de nós cuidasse de uma árvore em frente da sua casa, com certeza a situação agora seria outra. E aí? Que tal fazer a sua parte e ajudar na preservação deste bem tão precioso plantando uma árvore? Desafio lançado!

Gilson Santos é Jornalista com especialização em Ciências Políticas e atual presidente da Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba – Comec, do Governo do Estado do Paraná. Contato: gilsonjsantos@comec.pr.gov.br