Desde os anos 1960 a taxa de crescimento da população brasileira vem diminuindo e este fator, aliado ao aumento da expectativa de vida, está fazendo com que tenhamos cada vez menos jovens e mais idosos. A população brasileira está envelhecendo. 

Este movimento tem impactos enormes e dificilmente conseguirá ser revertido. Segundo as estimativas do IBGE, já em 2050 a população deverá diminuir. 

Para setores da economia, o desafio será grande. No caso da economia primária, que envolve a agricultura, pecuária, entre outros, provavelmente passaremos a enfrentar um excedente da produção. Mas como ainda enfrentamos um grande desafio com relação à fome em todo mundo, talvez esta seja uma oportunidade de equalizar melhor a distribuição desta produção. É preciso levar em consideração também o desmatamento causado por estas atividades que deverá cessar ou diminuir se conseguirmos aliar aumento da produção com a utilização de cada vez mais tecnologia no campo.  

No setor secundário, que envolve principalmente as indústrias e o momento em que as matérias-primas são transformadas em produtos, a inovação irá ditar as regras e ser o grande diferencial para escolha do cliente. Com a diminuição da população teremos uma queda na demanda por produtos e vencerão aqueles considerados melhores e mais eficientes. Outro fator é que a população envelhecida, exigirá produtos cada vez mais adaptados ao seu estilo de vida.  

E por fim, o setor terciário, que representa o comércio e a prestação de serviços, vai também precisar se adaptar a este novo tipo de consumidor. Com certeza muito mais exigente.  

Nesta esteira, nem preciso falar sobre as nossas cidades, que mais uma vez deverão ser protagonistas na busca por qualidade de vida para esta população. Afinal, não queremos ter uma geração de idoso presos em seus apartamentos. A cidade deve garantir a segurança desta população no acesso aos produtos e serviços existentes. E quando digo segurança, não falo apenas na questão de assaltos, etc. Mas segurança no deslocamento, proporcionando calçadas adequadas, um trânsito respeitoso, um transporte coletivo de fácil acesso e de qualidade, além, é claro, dos diversos serviços e equipamentos públicos fundamentais para esta nova geração como parques, postos de saúde, academias, entre outros. 

Se as cidades precisam ser pensadas para o futuro. Ela deve ser pensada para a pessoa idosa. 

Gilson Santos é Jornalista com especialização em Ciências Políticas e atual presidente da Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba – Comec, do Governo do Estado do Paraná. Contato: gilsonjsantos@comec.pr.gov.br