O que aconteceu no Paraná no último final de semana é inominável e jamais deveria ter acontecido. A suspensão do concurso público para a Polícia Civil foi uma decisão unilateral e injustificável diante das circunstâncias em que ocorreu. A alegação de que a decisão foi tomada de última hora por questões de segurança sanitária não cabe neste caso específico.

Estamos há quase um ano enfrentando esta pandemia e havia tempo suficiente para adotar todas as medidas para assegurar a preparação, a aquisição de equipamentos, a contratação de pessoal e a sanitização de todos os ambientes de provas.

Se a Fundação UFPR não tivesse condições de oferecer todas essas medidas de segurança, deveria ter anunciado essa incapacidade com alguns dias de antecedência.

Oportunidades não faltaram. Nas últimas semanas, foram protocoladas diversas ações na Justiça com pedidos de liminar que foram negados, exatamente porque havia a garantia da Fundação UFPR de que medidas sanitárias estavam sendo adotadas.

Por diversas vezes, recebi pelas redes sociais, pelo telefone e pessoalmente o questionamento se as provas realmente aconteceriam no domingo. Minha resposta sempre foi a mesma: “sim”. Em momento algum, a possibilidade do adiamento foi cogitada pela Comissão Organizadora do concurso.

A pior face de toda essa balbúrdia foram os sonhos de milhares de pessoas sendo interrompidos. Basta lembrar que as inscrições para este concurso para 300 vagas de investigador, 50 vagas para Delegado e 50 vagas de papiloscopista começaram em fevereiro do ano passado.

Mais de 106 mil pessoas depositaram toda a energia e a esperança na disputa por apenas essas 400 vagas. Milhares, com certeza, são jovens que alimentavam o sonho de um dia ser policial. Voltaram para as suas casas frustrados. E isso não deveria acontecer.

Diante desse cenário, retomo um debate que propus antes mesmo de abrirem as inscrições para este concurso. Em setembro de 2019, encaminhei um pedido à Secretaria de Segurança solicitando que os concursos para papiloscopista, investigador e Delegado fossem realizados em datas distintas.

O pedido chegou a ser deferido, mas foi revogado pelo Conselho da Polícia Civil em dezembro de 2019, sob o argumento de que as provas realizadas em dias distintos onerariam os cofres públicos.

Se essa medida tivesse sido adotada, certamente hoje colaboraria para que não houvesse aglomerações e também dariam a oportunidade aos candidatos de concorrerem a mais de uma dessas três carreiras.

Além de estarmos no aguardo das decisões da Direção da Polícia Civil em relação ao ocorrido e sobre o futuro do concurso, esperamos melhores explicações da Fundação UFPR pelos prejuízos causados.

Neste momento, resta apenas manifestar nossa solidariedade aos candidatos e pedir para que não desistam. Não deixem de sonhar e mantenham os estudos.

*Rubens Recalcatti é deputado estadual pelo PSD
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