O poder da voz e da palavra de Déa Trancoso

A Caixa Cultural Curitiba apresenta, dentro da séria Solo Música, o show da cantora, compositora e instrumentista mineira Déa Trancoso. Nesse espetáculo, a artista canta e toca rabecas fabricadas por ela mesma, além de executar canções ao som de shruti indiano, quatro venezolano e instrumentos produzidos de forma artesanal como flauta de PVC e ocarina de cerâmica. As performances emolduram as composições de Déa que são marcadas pela poética feminina, com forte influência da região onde a artista nasceu: o Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais.

“Líricas breves para a construção de uma alma” é o quinto disco de Déa Trancoso e o segundo totalmente autoral. Foi produzido com recursos do “Prêmio Terra Una de Música – Edição Ibermúsicas 2016. “Nele, estou nua com meu pequeno bocado musical e apresento a palavra como a grande guia de todo o trajeto. É um trabalho gravado quase todo à capela, anunciando e enunciando a beleza absoluta da voz humana em si mesma”, explica a artista. E ela destaca que o show será especial. “Participar da série Solo Música é uma honra. É uma alegria estar ao lado de compositores do mundo todo, enfeitando a cena. Legitima um lugar, um território autônomo onde hoje me encontro”, destaca.

Para Álvaro Collaço, produtor da Série Solo Música, Déa é artista a ser descoberta pelo grande público. “Sua música está sempre a caminho do coração do ouvinte atento e sensível a quem Déa reserva uma arte falsamente frágil, repleta de silêncios, de questionamentos, de arranjos construídos com instrumentos caseiros, em que a palavra é a dona de tudo e conduz à melodia, ao canto. Sua arte é herança do Vale do Jequitinhonha, mas não esconde o amor à poesia de Beto Guedes, Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, à liberdade musical de Egberto Gismonti. Ela é fruto de experiências existenciais, da filosofia, do meditar, do fato de Déa compreender bem o que é ser mulher e artista em um tempo ainda marcado pela opressão”, destaca Álvaro Collaço.

Do Vale do Jequitinhonha
Alcidéia Margareth Rocha Trancoso nasceu em Almenara, Minas Gerais. Filha de pais seresteiros, foi influenciada pelos violeiros, cantadores, congadeiros e foliões do Vale do Jequitinhonha, região conhecida pelo contraste entre a pobreza material e a riqueza da cultura popular. Seu trabalho incorpora sonoridades e referências a diversas manifestações da cultura popular nacional como catimbó, coco, acalanto, lundu, congo dobrado, maracatu, batuque, moda de viola, samba de caboclo e samba de roda.

 Em 2002, Déa Trancoso participou do CD “O Violeiro e a Cantora”, a convite do compositor e violeiro Chico Lobo. Em 2006, lançou seu primeiro CD “Tum Tum Tum”, pelo selo Tum Tum Tum Discos, que foi relançado em 2010 pelo selo Biscoito Fino. A este CD segue-se “Serendipity”, de 2011, que traz parcerias com Badi Assad, Chico César e Rogério Delayon; e “Flor do jequi”, de 2012, duo com o violonista Paulo Bellinati que traz recriações de ícones do Vale do Jequitinhonha.

 Déa Trancoso foi indicada ao Prêmio da Música Brasileira, em 2007, em quatro categorias: “Disco Regional”, “Cantora Regional”, “Projeto Gráfico” e “Voto Popular”. Em 2013, recebeu nova indicação na categoria “Cantora Regional”. Como compositora, tem músicas gravadas por Ná Ozzetti, Mônica Salmaso e Gonzaga Leal.

Foto – Divulgação

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