O MICROCOSMO de Rafael Silveira

Um convite ao mundo imaginário, ao inesperado. Sensações causadas pela exposição “Circonjecturas” do paranaense Rafael Silveira. A mostra, que está no Museu Oscar Niemeyer e vai até domingo (06), já levou em torno de 90 mil pessoas e é uma das mais procuradas do MON.

A visitante Nelnie Lorenzoni, de Porto Alegre, diz que ficou impressionada com as obras de Rafael. “Eu fiquei surpreendida com a criatividade e engenhosidade, tanto das obras quanto das instalações. Essa exposição me impressionou muito, para mim, ela reflete delicadeza, disciplina, organização e muita sutileza. Isso me encantou profundamente”, relata.

Natural de Paranaguá, Rafael Silveira começou a se interessar pela arte ainda criança. Publicou quadrinhos em fanzines e revistas independentes, suas ilustrações fizeram parte das principais revistas brasileiras, também ilustrou várias campanhas publicitárias. Suas obras já foram expostas em vários outros países e hoje, realiza um de seus sonhos, se tornando uma das mostras mais visitadas do Museu Oscar Niemeyer. Em entrevista ao Jornal de Colombo, Rafael conta como é ser um artista e qual o sentimento em realizar um de seus principais objetivos.

Jornal de Colombo: Quando começou o seu interesse em ser um artista?
Rafael Silveira: Toda criança desenha. Algumas não param. Gosto de arte desde sempre e com o passar do tempo, fui descobrindo o meu próprio caminho.

JC: Tem algum artista que inspira você? Quais são os seus preferidos?
Rafael: Tem muitos!  John James Audubon, Walton Ford, Mark Ryden e Todd Schorr. Não posso deixar de citar os clássicos: Arcimboldo, Magritte e Dali.

JC: Dos trabalhos que já realizou, qual mais gostou?
Rafael: Gostei muito das pinturas que fiz para a banda Skank, em 2008 (álbum Estandarte). Foi um divisor de águas para mim.

JC: Conte-nos um pouco mais sobre “Circonjecturas”.
Rafael: O nome é uma palavra inventada, uma licença poética. Vem da mistura das palavras “circo” (mais no sentido da origem etimológica da palavra, de círculo onde se representava espetáculos) e “conjecturas”, do campo das ideias, da imaginação e das possibilidades. É o teatro das infinitas possibilidades.

JC: Como o seu trabalho é recebido fora do país?
Rafael: É bem recebido, as pessoas gostam muito. Mas a repercussão ainda ocorre mais com o público especializado, em um circuito pequeno, bem segmentado. 

JC: Suas exposições já passaram por quais países?
Rafael: Nova York, Londres, Milão, Roma e Miami.

JC: Como funciona o seu processo criativo? Como você desenvolve os seus trabalhos?
Rafael: Primeiramente é bem orgânico e fluido. As ideias pousam em minha mente como borboletas em um jardim. Depois de um processo seletivo, cada ideia passa por um meticuloso projeto, e pouco a pouco, vai se tornando realidade através das mais diversas técnicas.

JC: Quais as maiores dificuldades que enfrentou ao longo da sua carreira?
Rafael: É muito difícil conseguir patrocínio para os projetos.

JC: Um dos seus objetivos era expor no MON e agora realizou essa vontade, como está sendo para você?
Rafael: Foi incrível, 500 metros quadrados de sala expositiva, mais de 50 obras. A maior exposição que já fiz. O público recebeu muito bem, é uma das exposições mais visitadas do ano no MON.

JC: Quais são os seus objetivos para o futuro?
Rafael: Meu principal objetivo é ser capaz de materializar minhas ideias mais complexas.

Foto – Arquivo pessoal

Fotos obras – Vanessa Guerra

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