Cantora e compositora curitibana fala sobre música, desafios e sonhos

Surya Amitrano, de 21 anos, é nascida em Curitiba, filha de pai carioca e mãe paulista. Sua família sempre foi ligada à arte. Surya canta, desenha, é atriz e está no último ano da faculdade de cinema. “Sou uma grande apaixonada pelas artes. Tudo pra mim é poesia, tudo pra mim tem beleza e procuro transmitir isso através da música, da interpretação, do vídeo e do poema. Sou uma grande curiosa e adoro me arriscar! Por isso estou sempre em todo lugar, tentando um dia pintar aquarela e no outro querendo escrever um livro. Eu só sigo a minha alma”, disse.

Jornal de Colombo: Como surgiu o seu interesse pela música?

Surya Amitrano: A música me pegou já quando eu era pequena. Meus pais sempre foram muito musicais, então cresci ouvindo todo o tipo de música. Meu pai tem alma de músico, e é um ótimo percussionista, mas nunca passou de um hobby. E o pai dele, meu avô, era sambista (mas profissionalmente era militar). Mais recentemente descobri que meu avô materno também tinha um pé no samba e tocava pandeiro por aí, nos bares, assim como meu pai. Eu nunca convivi muito com os meus avós, por causa da distância. Meu avô paterno, por exemplo, faleceu anos antes de eu nascer. Mas acho mesmo que tudo isso fica no sangue, no nosso inconsciente coletivo. Lembro quando eu era pequena e me sentava na sala para ouvir música com meu pai. Um dia percebi que eu sabia exatamente quando as batidas da bateria iam tocar de novo: descobri que tinha ritmo. Depois disso fui me interessando pela flauta doce, foi meu primeiro instrumento. Logo depois comecei a tocar flauta contralto, depois teclado e piano. E veio o canto! Descobri uma enorme paixão pelo canto e, lá pelos meus nove anos, passei a praticar sozinha. Ouvia música sem parar e prestava muita atenção nas notas, nas melodias, e tentava reproduzir. Fui conhecendo a minha voz assim: ouvindo e reproduzindo. Eu passava horas cantando sozinha e repetia as músicas mil vezes até eu saber cantar todas sem errar uma nota. Eu era uma professora bem rígida (risos)!

JC: Suas músicas são todas autorais?

Surya: Sim, são todas autorais. Eu na verdade fiquei surpresa quando vi que de repente eu estava compondo, principalmente quando me dei conta de que era MPB, samba, e um pouco disso tudo misturado com blues. Porque apesar de ter alguns aspirantes a sambistas na família eu nunca fui de ouvir muito samba, apesar de gostar.

As letras das músicas nasceram de poemas meus. Eu adoro escrever e sempre que vivo algo intenso, ou sinto coisas que eu não sei onde expressar, surge um poema. Depois disso comecei a musicar essas letras com o Gabriel Carvalho, meu grande parceiro na música e na vida. Ele sim é um músico de verdade! Entende de todos os nomes que eu não sei (risos). Eu sou muito intuitiva. Tive poucas aulas de teoria musical quando eu estudava piano. Tudo o que eu sei é pelo feeling, mas tenho aprendido muito com o Gabriel ultimamente. Faz toda a diferença dominar as técnicas e ter um conhecimento mais teórico. Minha parte preferida é juntar a intuição com tudo isso.

JC: Você já participou de algum Festival?

Surya: No final de 2017 participei do 8º Festival da Canção de Pinhais. Foi uma ótima experiência! Foi a primeira vez que mostrei a minha música para um público maior. Escolhi a música “Humana” para concorrer e acabei levando dois prêmios. O troféu de Melhor Canção e Melhor Cantora. Foi uma alegria! Dividi o prêmio com o Gabriel, que compôs comigo, e com o nosso amigo Marco Antônio, um tecladista incrível que nos ajudou com o arranjo dessa música. Acredito sempre que toda experiência é válida. Eu saí transformada do Festival, confiando ainda mais no nosso trabalho.

JC: Seu primeiro CD com cinco músicas será lançado este ano, fale um pouco sobre este trabalho.

Surya: O meu primeiro CD se chama Moletom. Esse nome é uma brincadeira que remete ao conforto, ao sossego em casa. Ele foi feito de forma independente, realmente em casa, com o que tínhamos ao nosso alcance. Foi todo produzido pelo Gabriel Carvalho, que é um ótimo produtor musical independente (ele montou um pequeno estúdio em casa).  O nome também faz uma pequena referência a uma das músicas, a Bonjour. Eu gosto desse CD. Ele remete aos sonhos, à diversão, à criatividade e principalmente a algo desencanado. Eu me diverti compondo as músicas, escrevendo as letras. Todo o processo foi divertido e foi também uma tomada de decisão, de responsabilidade. A música sempre foi um sonho e poder criar um CD todo por conta própria e colocá-lo no mercado é um baita empoderamento! E hoje tudo isso é muito possível. Estou muito feliz por aproveitar essa era da internet ao máximo. Eu sinto que vivemos em um tempo onde tudo é mais acessível, de várias formas, e só não faz quem não quer.

JC: O seu estilo musical tem alguma influência de algum cantor(a) que inspira você?

Surya: Tem, com certeza. Eu sinto que as minhas composições, principalmente essas do primeiro CD, são um grande resultado de tudo o que eu ouvi a vida toda. Tudo o que eu escutei e mexeu comigo lá dentro, e me deixou feliz, se refletiu nessas músicas. Sempre que eu ouvia um bom rock, eu dizia “Eu quero uma música assim!” e o mesmo acontecia com o samba, a MPB, o blues e o jazz. Eu sou muito eclética e isso está presente nas músicas. Eu vejo muita influência de Elis Regina, Blubell, Mallu Magalhães e até de Led Zeppelin, Tears for Fears e Adele, seja na voz, na harmonia ou nos arranjos. Tá tudo aí dentro de alguma forma!

JC: Como é para você estar lançando seu primeiro CD?

Surya: É a realização de um sonho. E eu me sinto feliz por ver que eu tracei uma meta e a cumpri. Fazer algo de forma independente é algo muito realizador. Você prova para si mesmo que você pode e que é totalmente possível, além de ser muito legal ao longo do caminho. O sonho nasceu como podia e eu aceitei: nesse momento só podíamos fazer em casa, com pouco dinheiro e com muita criatividade.  Fiz ótimos amigos, aprendi muito e entendi que eu não consigo – e não quero – ficar sem música.

JC: Como foi a sua trajetória para chegar em seu objetivo?

Surya: Eu acho que no fim das contas tudo entrou no pacote do autoconhecimento. Fui conhecendo a minha voz, o meu estilo de composição, os meus gostos. Descobri coisas que eu nem fazia ideia! E tive que saber lidar com a frustração quando eu não conseguia fazer o que meu cérebro imaginava, mas aos poucos fui chegando lá. Lidar com a agitação interna também é uma coisa a se considerar. No meio do caminho eu tive várias inseguranças, medos e pressa. Me cansei tanto de ter pressa que aprendi a deixar ela de lado. Me ver como uma cantora foi algo que eu sempre quis, mas achava que não seria uma. Trabalhei muito as minhas crenças durante esse processo do Moletom e estou aprendendo a confiar. Podemos ser sempre o nosso único e pior inimigo, mas podemos ser o nosso maior mestre. É questão de escolha. Contei com o apoio de muitas pessoas. Muitos amigos músicos que nos ajudaram a gravar e a família toda que se empolgou e que acreditou no projeto. A música faz todo mundo sorrir!

JC: Quando será o lançamento oficial do seu CD? E para quem deseja escutá-lo, onde as pessoas podem encontrar?

Surya: O lançamento oficial do Moletom será no dia 6 de março de 2018 e estará disponível no Spotify, no YouTube, no Deezer e no iTunes. Enquanto ele não sai estamos produzindo vários materiais, vídeos e clipes na página oficial do Facebook (www.facebook.com/surya.moletom) e no meu Instagram (@surya.moletom). Lá também já tem trechos das músicas pra quem quiser conhecer!

Foto – Arquivo pessoal

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