“A Cor da Cidade” na Casa da Cultura de Colombo

Fernando Martins é o artista por trás da exposição “A Cor da Cidade”, na Casa da Cultura de Colombo. A mostra fica em cartaz até 29 de setembro

Fernando Martins é advogado, membro da Comissão da Igualdade Racial na OAB- PR e agora, também caminha pelo campo da arte. Natural do Rio Grande do Sul, radicado há quase dez anos no Paraná, na cidade de Colombo. Exerce a advocacia e possui um escritório na cidade de Curitiba. Como artista, procura transmitir mensagens através de seus quadros que possuem, prioritariamente, temas de personalidades afro-brasileiras, afrodescendentes e africanas. A cultura e a diáspora africana, as religiões de matrizes africanas também se acentuam em sua arte. Em entrevista, exclusiva, ao Jornal de Colombo, o artista apresenta seus quadros e a técnica que usa na confecção. 

Jornal de Colombo: Quando surgiu o seu interesse pela arte?

Fernando Martins: Sempre me interessei. É uma das formas de expressão mais completas e possui um alcance profundo. A arte é universal e transcende gerações, e ter o dom de se expressar desta forma, é um privilégio divino que não podemos deixar de fazer.

JC: Você se inspira em algum artista que gosta? 

Fernando: Não me inspiro em nenhum artista especificamente, gosto de toda e qualquer arte que me transmita uma mensagem, principalmente que retrate a realidade cotidiana do nosso povo, seus ícones, cultura e religião.

JC: Como é esta técnica que você utiliza em seus quadros? Como surgiu a ideia?

Fernando: Observando obras com colagem em papel surgiu a pergunta se não haveria a possibilidade da utilização de outro material, também maleável e limpo, mas que oportunizasse uma melhor definição da obra, o que abriria as portas para que, no caso quadros, tivessem uma resolução próxima da realidade. Então comecei a testar a utilização do EVA e os primeiros resultados foram promissores.

Com o passar do tempo fui aumentando o grau de dificuldade e o resultado foi ficando cada vez melhor, o que pude medir pela receptividade entre amigos e posteriormente em feiras e exposições que tive a oportunidade de participar.

JC: Como surgi as ideias para os quadros?

Fernando: Dentro da perspectiva de que a minha arte necessariamente precisa transmitir a minha mensagem, não é difícil brotar ideias para um novo trabalho. Ao ver minhas obras, é perceptível a preocupação com as diferenças sociais, principalmente relacionadas aos negros, bem como a valorização da cultura, da religião e resgate dos seus ícones.

JC: Além da Casa da Cultura, você já realizou alguma outra exposição?

Fernando: Já participei da 1ª Mostra de Artes, que aconteceu no Colombo Park Shopping, no mês de junho. Irei participar da segunda edição nos dias 30/09 e 01/10. Em Curitiba, participei de três edições de feiras promovidas pelo Instituto Afro Brasileiro do Paraná, em um belo trabalho de resgate da Praça Zumbi dos Palmares, direcionada a impulsionar empreendedores negros e divulgar a arte afro-brasileira.

JC: Quais os seus planos para o futuro?

Fernando: Meu plano é, com a minha arte, alcançar cada vez mais pessoas e assim, levar a minha mensagem. Desta maneira estarei promovendo arte e a cultura negra e abrindo espaço para o debate das questões sociais que envolvem, como o preconceito e o racismo.

Fotos – Vanessa Guerra

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